Origens da Oncologia Clínica (Cancerologia):

 

O termo "Cancerologia" é uma composição dos termos gregos καρκίνος (no latim, karkinos)e λογία (logia), querendo significar o "estudo dos carcinomas" e também ὄγκος (no latim, onkos), que significa tumor.

Remonta à palavra grega câncer (caranguejo) e sua introdução é atribuída a Hipócrates de Cós, "Pai de Medicina", para descrever os tumores malignos, que se infiltram nos tecidos como as garras de um caranguejo. Como especialidade médica, a Oncologia Clínica foi oficialmente criada nos Estados Unidos em 1972.

Após a I Guerra Mundial, com o advento da Guerra Química e a utilização do gás mostarda, o estudo dos seus efeitos inibitórios sobre a proliferação das células sanguíneas na medula óssea permitiu a condução de diversos experimentos clínicos, que demonstraram finalmente a possível aplicação desses agentes no combate ao câncer. Em 1946, Louis Goodman e colaboradores publicaram os resultados de seu trabalho com o uso de derivados de gás mostarda no tratamento de linfomas, leucemias e outros tumores, iniciando a Era da Quimioterapia.

Em 1956, foi descrita a primeira cura de um tumor sólido, com o uso de methotrexate (um antagonista de folato) num caso de coriocarcinoma uterino.

Após o advento da quimioterapia, havia uma necessidade premente de formação de médicos especializados no tratamento não-cirúrgico (ou clínico) dos tumores malignos, além do acompanhamento desses pacientes e suporte em relação aos efeitos colaterais da terapia.

 

Papel como médico:

Aliar assistência, ensino e pesquisa com educação permanente, inovação e resgate da tradição médica, no intuito de impactar positivamente a vida de cada pessoa enferma e da sociedade.

 

Valores:

Ciência e humanismo.

Ética.

Reflexão e atitude: Cogitare ante agens

Engajamento profissional e comunitário.

 

É amplamente disseminado a noção de que a creatina serve para ganho de força, aumento de massa muscular e otimização do desempenho físico. No dia a dia da prática clínica, observo com frequência pacientes e praticantes de atividade física fazendo uso regular deste suplemento, por vezes sem a devida orientação ou acompanhamento profissional.

Minha preocupação surge quando a literatura científica acende alertas importantes sobre o impacto de intervenções suplementares no microambiente tumoral e na progressão metastática.

Aqui cito um estudo recente publicado na revista Nature Communications.

O trabalho liderado por Xie e colaboradores (2026) investigou a relação causal entre a suplementação de creatina exógena e a promoção de metástases à distância.

Desenho do estudo e modelos: A pesquisa utilizou modelos animais de melanoma, câncer de mama, câncer de pulmão e câncer colorretal, combinado a ensaios celulares e um estudo piloto em voluntários humanos.

Mecanismo desvendado: Os pesquisadores demonstraram que a creatina exógena não atua diretamente sobre o crescimento do tumor primário, mas sim nos megacariócitos — as células precursoras das plaquetas na medula óssea.

A sequência de sinalização estabelecida foi: 1)absorção da creatina via transportador SLC6A8 nos megacariócitos; 2) elevação da enzima Creatina Kinase B (CKB); 3) fosforilação de STAT5B; 4) produção de plaquetas hiperativas com maior expressão de receptores superficiais (como GP6 e P2Y12).

Essas plaquetas "super-reativas" agregam-se às células tumorais circulantes, formando complexos que protegeram as células tumorais circulantes contra as forças mecânicas do fluxo sanguíneo e contra o ataque do sistema imunológico, facilitando sua adesão e implantação no tecido pulmonar.

Achados no estudo piloto em humanos: A administração de 20 g/dia de creatina por 14 dias em adultos jovens e saudáveis resultou no aumento da reatividade plaquetária. A transferência dessas plaquetas tratadas para modelos animais transplantados com células tumorais acelerou a formação de focos metastáticos, principalmente nos pulmões.

Conclusão e implicações clínicas

Estes dados não significam que a creatina seja um agente causador de câncer. Contudo, estabelecem um claro sinal de alerta: em pacientes com neoplasia ativa ou risco elevado de disseminação micro-metastática, a suplementação de creatina pode induzir um estado pro-metastático através da hiperatividade plaquetária.

Por essa razão, a prescrição e o uso da creatina durante o tratamento oncológico exigem extrema cautela, devendo ser estritamente individualizados pela equipe médica e multidisciplinar do paciente.

Referência: Xie S, et al. Exogenous creatine supplementation promotes tumor metastasis via megakaryocyte creatine kinase B-STAT5B signaling. Nat Commun. 2026;17(1):8662. https://doi.org/10.1038/s41467-026-8662-z