A vitamina C em uso regular, seja em baixa dose de 200mg/dia ou doses de 1g/dia ou superior, consegue evitar ocorrência de resfriados na comunidade? A resposta, segundo meta-análise de Hemilä et al (2013), é: NÃO.
Avaliando mais de 10 mil participantes em estudos diferentes, os autores não conseguiram demonstrar de modo consistente um efeito protetor da vitamina C em uso regular.
E a gravidade da condição? Em média, o resfriado comum causou um a dois dias de afastamento do trabalho ou escola, e o uso de vitamina C não contribuiu em termos práticos para uma recuperação mais rápida na retomada das atividades habituais.
E uma vez tendo aparecido os sintomas iniciais, não valeria a pena iniciar o uso de vitamina C? Conforme essa análise, também não. Não houve diferença prática em termos de dias de afastamento do trabalho ou escola.
Mas por que falar sobre uso de vitamina C, afinal não seria uma decisão pessoal de cada um?
A decisão final é de cada um, mas seria importante lembrar que a suplementação de vitamina C foi associada a risco maior de eliminação de cálculos urinários (pedras nos rins), sobretudo em homens, em estudos de longo prazo (Ferraro et al., 2016).
Caso algum leitor venha a utilizar vitamina C durante o período de resfriado comum ou síndrome gripal, o autor desse blog gostaria de saber algumas coisas. Ao contatar pelo email cristianohansen@yahoo.com.br procure informar o seguinte:
Usaremos um teste binomial, após “n” observações e “k” proporção de eventos, estimando conservadoramente como 5% a taxa de eventos na comunidade e consideraremos significativo um valor de p<0,05 (mas isto é outra história...)
Referência:
Hemilä H, Chalker E. Vitamin C for preventing and treating the common cold. Cochrane Database Syst Rev. 2013 Jan 31;2013(1):CD000980
Ferraro PM, Curhan GC, Gambaro G, Taylor EN. Total, Dietary, and Supplemental Vitamin C Intake and Risk of Incident Kidney Stones. Am J Kidney Dis. 2016 Mar;67(3):400-7